Menino com Síndrome de Down realiza sonho de ser coroinha após ter entrada condicionada a 'avaliação extra'

  • 19/04/2026
(Foto: Reprodução)
Menino com Síndrome de Down se torna coroinha após 'avaliação extra', em Piracicaba Miguel Lopes, de 11 anos, realizou o sonho de se tornar coroinha em uma paróquia de Piracicaba (SP) após superar a resistência inicial da coordenação, que condicionou sua entrada a uma avaliação que não é exigida as demais crianças. Isso porque o menino tem síndrome de Down. Entenda: segundo a família, ele chegou a receber uma negativa sob a justificativa de que seria necessário verificar se estava apto, o que não foi feito com outras crianças sem deficiência; com apoio do padre, porém, ele ingressou na função e hoje é exemplo de inclusão na comunidade religiosa. Siga o g1 Piracicaba no Instagram 📲 Taíssa Lopes, mãe do Miguel, contou ao g1 que o filho sempre teve o desejo de ajudar dentro da igreja, e que vive uma vida de devoção completa. Além disso, segundo a mãe, ele compreende a existência de Deus e os ritos católicos de que participa. "Para as pessoas é muito difícil entender como uma criança com deficiência cognitiva consegue entender o que ela não vê. Você não vê Deus. Ele não é tocável. Então, como que ele consegue entender? Com ele sabe a hora que tem que rezar? Como que ele sabe que depois que ele comunga, ele tem que ajoelhar e rezar? As pessoas assustam, mas, ao mesmo tempo, é a prova de que não há limites. Todo mundo é capaz", contou. 'Recebemos um não' Menino com síndrome de Down enfrenta 'não' realiza sonho da família de ser coroinha, em Piracicaba Acervo Pessoal/Taissa Lopes Após Miguel finalizar a catequese, Taíssa soube que as inscrições para se tornar coroinha estavam abertas e, entusiasmada, levou o filho para se inscrever. Entretanto, quando conversou com o adulto responsável pelos 40 coroinhas, foi avisada que era preciso ver se ele estava pronto. "Eu não vejo que foi um preconceito. Eu acho que foi o medo de não saber o que ia dar. Eu fui fazer a inscrição do Miguel. Na época, a coordenadora falou: 'ah, então vamos ter que falar com a catequista para ver se ele está pronto'. Eu achei que aquilo era o trâmite, depois fiquei sabendo que não, que era porque o Miguel tinha síndrome de Down", contou Taíssa. "Recebemos um não, conversei com a pessoa e falei: 'eu sei que pode ser novo para você ter uma criança com deficiência sendo coroinha. Eu entendo. Mas assim, o meu filho tem oportunidade igual a todos os outros. Então, terão ensaios? Ele fará os ensaios. Se ele não estiver pronto, ok. Mas se ele estiver pronto, ele pode ter essa oportunidade de ser um coroinha", relatou a mãe. O padre Edivaldo de Paula acompanha Miguel desde novo e coordena a Paróquia Santa Rosa de Lima. Ele também interviu e garantiu que o menino conseguisse entrar na pastoral. “Essa realidade de inserir as pessoas muito mais que especiais é muito nova. Parece natural até certo ponto que causasse algum desconforto”, disse. “Mas o Miguel sempre foi muito bem acolhido. Até porque sua história em particular, tão bonita, de superação pela fé e pela medicina, é bastante conhecida. Ele é muito esperto. Seu aprendizado foi relativamente rápido, e recebeu o apoio da coordenação de catequese dos coroinhas”, explicou o padre. Parecer médico Melissa Oliveira, médica preceptora da Neurologia Infantil da Unicamp, explicou que, no caso da Síndrome de Down, não há qualquer limitação que impossibilite o entendimento da fé e da religião. "Eles podem ter limitações em algumas compreensões, mas aquilo que compreendem, podem crer e exercer de forma plena", disse. "Fé é algo complexo, envolve várias dimensões do ser humano. A parte cognitiva até fica afetada nessas pessoas com síndrome de Down, por possuírem deficiência intelectual. Porém, a fé envolve outros domínios. Então, eles podem sim ter fé genuína e exercerem isso", explicou a médica O que diz a Diocese? A Diocese relatou, em nota, que não recebeu qualquer queixa formal sobre resistência ao acolhimento e integração de Miguel como coroinha — veja a posição completa abaixo: "A Diocese de Piracicaba informa que não recebeu qualquer queixa formal sobre resistência ao acolhimento e integração de Miguel como coroinha em sua paróquia. Caso tenham ocorrido situações entre membros da comunidade, reafirmamos que a decisão do pároco de admiti-lo foi correta e alinhada aos princípios cristãos. Outras paróquias da Diocese contam com crianças, adolescentes e adultos com diferentes tipos de deficiências atuando em atividades pastorais", escreveu em nota. Inspira outras pessoas Miguel, coroinha de igreja em Piracicaba (SP) Acervo Pessoal/Taissa Lopes Taíssa contou que nos primeiros ensaios, o filho estava inseguro: fazia todas as obrigações com cuidado redobrado e estava bem dedicado na missão de não derrubar nada. Miguel foi investido — cerimônia dentro da missa em que a criança é vestida com a roupa de coroinha pela primeira vez — em agosto de 2024, quando tinha 9 anos. Cerca de um ano e meio depois, ele ganhou repercussão na internet depois que sua mãe publicou um vídeo no Instagram.m. 🎥 Acompanhada de uma canção do cantor Frei Gilson, Taíssa gravou um dia de missa com o filho, em que ele interage e abraça todos na paróquia. Até a publicação desta reportagem, a postagem tinha 222 mil curtidas. “Miguel é muito especial. Tem um carisma próprio. Ama rezar, atuar como coroinha. Interage com facilidade comigo, com outros coroinhas e com a comunidade em geral. Procura realizar com muita atenção e com carinho aquilo que é sua função em cada Missa. Miguel é exemplo de fé. Tem uma sensibilidade destacada. Animado, responde às orações da Missa e faz silêncio quando é necessário. Inspira outras pessoas”, relatou o padre. Miguel abriu portas Menino com síndrome de Down realiza sonho de ser coroinha, em Piracicaba Acervo Pessoal/Taissa Lopes Taissa conta que Miguel está nos bancos da igreja desde que "estava na barriga". Quando ela assistia às missas, olhava para todos aqueles meninos com as roupas vermelhas rodeando o sacerdote e desejava que o seu menino também estivesse lá um dia. "Ele frequenta a igreja desde a minha barriga, e era um desejo do nosso coração, meu e do meu marido, que o Miguel fosse um dia coroinha. Mas assim, eu não conhecia ninguém com síndrome de Down. Não sabia nada", contou Taiísa. Dentro da paróquia em Piracicaba, a entrada de Miguel abriu portas. De acordo com padre Edivaldo, ele foi a primeira criança com uma deficiência a entrar na pastoral dos coroinhas da Paróquia Santa Rosa de Lima. Depois dele, outras crianças entraram no grupo. Ao g1, a Diocese de Piracicaba contou que, atualmente, outras paróquias da região contam com crianças, adolescentes e adultos com diferentes tipos de deficiências atuando em atividades pastorais. Ainda conforme o órgão religioso, Miguel não é a primeira pessoa com síndrome de Down a auxiliar um sacerdote no altar. Além dele, a Diocese tem conhecimento de uma adulta de cerca de 30 anos que costuma servir em celebrações em Santa Bárbara d'Oeste (SP) há dois anos a frente do Miguel. 'Hoje eu sei porque o Miguel veio para mim' Acompanhar Miguel na jornada da fé não é apenas um testemunho de inclusão. Para Taíssa, tem sido também um caminho de fortalecimento espiritual. "Eu não entendi porque Deus tinha enviado o Miguel. Quando eu soube, chorei três dias e não falei com ninguém", disse. "A gente já ia à missa, mas o Miguel nos mudou como pessoa. Quando eu falo isso, não é porque ele é um ser iluminado, um anjo de Deus na Terra. Ele até pode ser, porque para mim ele é tudo isso. Mas é porque você começa a olhar com outros olhos. A relação nossa com a fé mudou totalmente e ela tem se fortalecido muito mais. Hoje eu sei porque o Miguel veio para mim", finaliza Taissa. Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Piracicaba.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/piracicaba-regiao/noticia/2026/04/19/menino-com-sindrome-de-down-realiza-sonho-de-ser-coroinha-apos-ter-entrada-condicionada-a-avaliacao-extra.ghtml


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