Rochas do salto do Rio Piracicaba ajudam a explicar a separação entre Brasil e África

  • 04/01/2026
(Foto: Reprodução)
Salto do Rio Piracicaba na altura do Parque do Mirante, em Piracicaba (SP) Edijan Del Santo/EPTV Quem caminha às margens do rio Piracicaba, em Piracicaba (SP), talvez não imagine que as pedras escuras que sustentam o leito do rio e dão forma ao famoso ‘salto’ presenciaram o nascimento do Oceano Atlântico. Trata-se de rochas magmáticas, que se formaram durante um grande derramamento de lava que ocorreu no processo de separação entre o Brasil e a África há aproximadamente 135 milhões de anos. A separação dos territórios deu início ao Oceano Atlântico. “Quando começou a se separar [Brasil e África], começou a ocorrer várias falhas geológicas bem profundas. E essas falhas favoreceram que o magma que ocorre em profundidade, que extravasasse e cortasse todas essas camadas de rochas que vemos aqui na região. Consequentemente, esse ponto do rio é onde houve esse extravasamento de magma”, explica o professor doutor Alessandro Batezelli, do Instituto de Geociências (IG) da Unicamp. 📲 Siga o g1 Piracicaba no Instagram Rochas do salto do Rio Piracicaba, em Piracicaba (SP), visíveis durante período de estiagem Edijan Del Santo/EPTV O derramamento de lava não é específico de Piracicaba. Ele ocorreu por toda a Bacia do Paraná, área geológica que compreende regiões no Sudeste, Centro-Oeste e Sul brasileiros, além de áreas no Paraguai, Argentina e Uruguai. Nessa área, o território é composto por rochas sedimentares e extravasamentos de rochas magmáticas (também conhecidas como rochas ígneas ou vulcânicas). Perto das rochas magmáticas que compõem o leito e o salto do Rio Piracicaba, há a Pedreira do Bongue, exemplo de rocha sedimentar composta por dois tipos de materiais: argilito (argila vermelha/roxa) e arenito (areia). Pedreira do Bongue é sítio paleontológico com fósseis de quando Piracicaba era mar, diz pesquisador Pedreira do Bongue é sítio paleontológico com fósseis de quando Piracicaba era mar Pontos de interesse As rochas do Rio Piracicaba e a Pedreira do Bongue são algumas das geodiversidades que o projeto do Geoparque Corumbataí pretende preservar e difundir, assegurou Alexandre Perinotto, professor do curso de Geologia da Unesp de Rio Claro e coordenador científico da organização. O projeto Geoparque Corumbataí reúne pontos de interesse em áreas com patrimônio geológico, científico e cultural em nove cidades da região de Piracicaba e pode se tornar o primeiro geoparque do estado reconhecido pela Unesco. “Quando você coloca a mão numa rocha dessas [do rio Piracicaba], você está pondo a mão na abertura do Oceano Atlântico bebezinho ainda”, informa Perinotto. Parte da Pedreira do Bongue, em Piracicaba (SP), em novembro de 2025 Yasmin Moscoski/g1 “A ideia do geoparque é classificar tudo isso. É mostrar isso para a população, é fazer com que ela entenda que ela tem heranças muito bonitas no próprio território. É colocar placas, tótens autoexplicativos... e isso fomenta o turismo. As pessoas passam a conhecer que aquilo ali faz parte do território e um turismo integrado”, complementa. As cidades com pontos de interesse são: Analândia (SP), Charqueada (SP), Cordeirópolis (SP), Corumbataí (SP), Ipeúna (SP), Itirapina (SP), Piracicaba (SP), Rio Claro (SP) e Santa Gertrudes (SP). Fase do projeto Geoparque Corumabataí Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (SDHU), o projeto Plano Regional Integrado de Turismo da Serra do Itaqueri e do Geoparque Corumbataí está estruturado em duas fases. Na primeira, estão sendo desenvolvidos os produtos técnicos exigidos pela Unesco. Entre eles, estão o Plano de Gestão, o Plano de Geoturismo, o Plano de Patrimônio Geológico e Geoconservação, todos elaborados conforme os critérios e diretrizes internacionais, afirmou a pasta. Já a segunda fase contemplará, entre outras ações, o Plano de Comunicação e Identidade Visual de todo o território do geoparque e projetos, além da consolidação do Plano Regional Integrado de Turismo. A pasta não passou datas de início para a segunda fase. O que falta para o projeto de 1º geoparque do estado de São Paulo ser apresentado à Unesco? Rochas, morros e paisagens também são considerados patrimônios Divulgação/Projeto Geoparque Corumbataí VÍDEOS: tudo sobre Piracicaba e Região Veja mais notícias da região no g1 Piracicaba

FONTE: https://g1.globo.com/sp/piracicaba-regiao/noticia/2026/01/04/rochas-do-salto-do-rio-piracicaba-ajudam-a-explicar-a-separacao-entre-brasil-e-africa.ghtml


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