Prima depõe sobre furto na casa de tio de Suzane Richthofen; lista de bens incluem coleção de Barbies raras e réplica de quadro de Miró
11/02/2026
(Foto: Reprodução) Suzane Richthofen vai cuidar de patrimônio de R$ 5 milhões do tio
A Polícia Civil ouviu na terça-feira (10) a prima do tio de Suzane von Richthofen, condenada por mandar matar os pais em 2002, sobre o furto ocorrido na casa dele em São Paulo. O crime foi cometido após a morte de Miguel Abdalla Netto, em 9 de janeiro.
O médico era primo da empresária Camem Silvia Gonzales Magnani, que foi ouvida como testemunha e contou por duas horas que soube do desaparecimento de bens dele.
O g1 teve acesso a uma lista do que estaria dentro do imóvel, entre eles uma coleção de bonecas Barbie raras e a réplica de um quadro do artista plástico espanhol Joan Miró. Também foram mencionados brinquedos importados, máquina de lavar roupa, dois capacetes de equitação, coleção de discos em vinil e de CDs, sofá de madeira, poltrona, mesas de mármore e garrafas de bebidas, entre outros objetos, totalizando 34 itens.
A relação teria sido entregue na terça por Carmem e suas advogadas na delegacia que investiga o furto. Não há confirmação se parte desses bens acima foi furtada.
Suzane, que tirou o sobrenome Richthofen; Miguel Netto, seu tio; e Carmem Magnani, prima dele
Reprodução/Luara Leimig/TV Vanguarda e Arquivo pessoal
Antes de depor, Carmem chegou a fazer dois boletins de ocorrência. Um para denunciar um furto à residência de Miguel e outro para acusar Suzane de levar, sem autorização, alguns itens da residência dele, incluindo o carro do médico. Mas nesta terça, em seu depoimento no 27º Distrito Policial (DP), Campo Belo, a empresária não apontou suspeitos pelo crime.
Carmem chegou e entrou na delegacia sem falar com a imprensa, assim como suas advogadas.
“Para a polícia, Carmem não trouxe nenhuma informação que aponte ou indique algum suspeito de ter cometido ou participado do crime de furto”, disse ao g1 o delegado Eduardo Luís Ferreira, titular do 27º DP.
Segundo a investigação, o suspeito de furtar os bens da casa de Miguel é um homem que aparece em imagens de câmeras de segurança pulando o muro do imóvel após a morte do médico. Ele aparece abrindo o portão e levando uma cama e uma escada para duas vans. A polícia tenta identificar quem são essas três pessoas e saber se elas foram contratadas por alguém, quem foi, o que levaram da casa e onde tudo está atualmente.
Delegacia que investiga a morte de Miguel e o furto à casa dele em São Paulo.
Reprodução/Arquivo/TV Globo/Google Maps/Cremesp
Carmem e Suzane disputam na Justiça a herança de R$ 5 milhões deixada por Miguel, que foi encontrado sem vida dentro da casa onde morava sozinho na Zona Sul. A principal hipótese da polícia é a de que ele morreu de infarto, mas ainda são aguardados os resultados de laudos periciais para confirmar isso.
No entendimento da polícia, o carro do médico não foi furtado. Suzane chegou a informar, no processo judicial que move em busca do patrimônio do tio, que ficou com o automóvel dele após saber que a residência do parente foi furtada. Para os policiais, isso não caracterizaria um crime.
Por meio de nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que a delegacia segue com diligências "para identificar o autor do furto, flagrado em imagens".
O g1 tenta contato com os advogados de Suzane para tratar do caso.
Suzane virou inventariante
À esquerda, portão do sobrado onde Miguel Netto morava e foi encontrado morto; à direita, sala do apartamento onde sua prima, Carmem Magnani, morou
Reprodução/Google Maps/Arquivo pessoal
Miguel era solteiro, sem filhos, sem irmãos e sem testamento.
Nesta semana, a Justiça nomeou Suzane como inventariante do espólio, responsável por administrar e preservar os bens até a partilha. A decisão determina que ela não poderá vender, transferir ou usufruir dos imóveis, contas bancárias, carro e demais itens e que deverá prestar contas à Justiça sobre qualquer ato de gestão.
A disputa pela função envolve Carmen, que tenta o reconhecimento de união estável com Miguel em uma ação paralela. A juíza responsável pelo inventário, porém, afirmou que a empresária ainda não comprovou a relação naquele processo e que os sobrinhos têm prioridade na ordem sucessória. O único outro sobrinho vivo, Andreas von Richthofen, não se habilitou no caso.
A defesa de Carmem disse que vai recorrer da decisão judicial que colocou Suzane como a única inventariante. A advogada de Andreas já havia dito que não comentaria o caso.
O caso Richthofen
Relembre o caso Suzane von Richthofen, condenada por matar os pais em 2002
Há 23 anos, o engenheiro Manfred von Richthofen, de 49 anos, e a psiquiatra Marísia, de 50, foram assassinados dentro de casa, no Campo Belo. A polícia descobriu que Suzane havia mandado o então namorado, Daniel Cravinhos, e o irmão dele, Cristian, matarem o casal com barras de ferro.
Os três tentaram simular latrocínio, mas confessaram o crime e foram presos. Suzane e Daniel foram condenados a 39 anos, e Cristian, a 38 anos.
Suzane deixou a prisão em 2023, vive hoje em Bragança Paulista e adotou o nome Suzane Louise Magnani Muniz após se casar com o médico Felipe Zecchini Muniz, com quem tem um filho.
Daniel saiu da prisão em 2018 e trabalha com customização de motos. Cristian foi solto em 2025 e também atua com o irmão.
Cristian, Daniel e Suzane von Richtofen, na época em que foram presos, em 2002
Reprodução/ Globo News