Polícia conclui que enfermeira foi morta a tiros por engano em emboscada e MP denuncia suspeitos à Justiça
08/05/2026
(Foto: Reprodução) Câmeras registram carro das vítimas sendo acompanhado pelos suspeitos em moto
A Polícia Civil concluiu que a enfermeira Letícia Monteiro Vila Nova, de 27 anos, foi assassinada por engano numa emboscada em novembro do ano passado em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo. Uma das suspeitas, que está presa preventivamente, foi denunciada à Justiça nesta semana pelo Ministério Público, enquanto outro está foragido (leia mais abaixo).
Letícia estava no banco do passageiro do carro, com a irmã e dois amigos, quando uma motocicleta, com duas pessoas, se aproximou e o garupa efetuou pelo menos sete disparos de arma de fogo contra o automóvel.
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Letícia foi atingida por um tiro na região da costela e morreu no local. O homem que estava no banco traseiro foi baleado duas vezes, mas sobreviveu. Já a irmã de Letícia e o motorista não ficaram feridos.
Imagens feitas por IA reconstitui o crime: Letícia foi alvo de tiro por engano em Rio Preto (SP)
Luciano Guimarães/TV TEM
O alvo, segundo a investigação da polícia, seria o motorista do carro em que ela estava, de 30 anos, que não vai ser identificado pela reportagem. Jaqueline Andreza da Silva e o namorado dela, Matheus Henrique Alves Pimenta, são os suspeitos do crime.
O relatório final do inquérito da Polícia Civil, concluído pelo delegado André Amorim, tem quase 300 páginas e reúne laudos periciais, depoimentos de testemunhas e elementos colhidos ao longo de seis meses de investigação.
O documento na íntegra foi obtido pela produtora de reportagem da TV TEM, Janaína de Paula, e pela repórter Monize Poiani. Elas ainda tiveram acesso às imagens de câmeras de monitoramento que registraram momentos em que o carro das vítimas foi acompanhado pelos suspeitos. Assista acima.
Perseguição na saída de boate
Segundo a investigação, a perseguição começou em uma boate. Depois da saída da casa noturna, em um posto de combustíveis, uma das imagens mostra os investigados em uma motocicleta, monitorando o carro em que as vítimas estão.
De acordo com a Polícia Civil, Jaqueline e Matheus seguiram o veículo após a saída do posto. O crime ocorreu em frente a um condomínio de prédios, na Avenida Ernani Pires, no bairro Porto Seguro.
Segundo a polícia, o motorista saiu do veículo após os disparos e foi flagrado pela equipe que atendeu a ocorrência enquanto tentava pular o muro de um prédio. Ele tem antecedentes criminais por porte ilegal de arma de uso restrito e associação criminosa.
Em depoimento à polícia, ele negou ter inimigos e disse desconhecer a motivação do atentado.
Jaqueline Andreza da Silva e o namorado dela, Matheus Henrique Alves Pimenta, são suspeitos do assassinato em Rio Preto (SP)
Arquivo pessoal
Leticia Monteiro Vila Nova morreu baleada em Rio Preto (SP)
Arquivo pessoal
O crime
O crime aconteceu no início da manhã do dia 16 de novembro do ano passado. Para simular o crime, a reportagem usou Inteligência Artificial. Veja acima.
No local, policiais apreenderam cápsulas de munição calibre 9 milímetros. O delegado responsável pelo caso afirmou que a motivação do crime ainda não foi esclarecida.
Segundo a Polícia Civil, Jaqueline pilotava a motocicleta que era dela, enquanto Matheus é apontado como o autor dos disparos. Após o crime, ele fugiu e continua foragido da Justiça até a tarde nesta sexta-feira (8).
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Jaqueline foi presa no dia 9 de março deste ano, em Santos, no litoral paulista, enquanto jogava sinuca em um bar. Conforme a investigação, no dia da prisão ela usava roupas semelhantes às registradas nas imagens do dia do assassinato.
A motocicleta utilizada no crime foi apreendida em Mirandópolis (SP), cidade onde moram os pais da suspeita. Publicações feitas por Jaqueline em redes sociais ajudaram nas investigações.
Nas imagens, ela aparece com a motocicleta e usando o mesmo capacete identificado nas gravações de câmeras de segurança. Assista acima no topo da reportagem.
Procurada por homicídio qualificado é presa em Santos. Tênis e jaqueta usados no dia do crime também são apreendidos.
Divulgação/Polícia Civil
Enfermeira é morta a tiros no banco do passageiro de carro em Rio Preto (SP)
Arquivo pessoal
Mulher é procurada por homicídio qualificado, crime que foi registrado por câmeras de segurança.
Reprodução/Câmera de Segurança
Prisões e denúncia do Ministério Público
Dupla suspeita de envolvimento no assassinato de técnica de enfermagem é presa em Rio Preto
Polícia Civil/Divulgação
Além de Jaqueline, outro casal chegou a ser preso durante a investigação policial. Nesta semana, a Justiça converteu as prisões temporárias em preventivas, mas o segundo casal suspeito de envolvimento no homicídio foi solto posteriormente e arrolado pelo Ministério Público apenas como testemunha de acusação.
O promotor do Ministério Público, Evandro Ornelas, enviou a denúncia contra Matheus e Jaqueline à Justiça nesta semana. Os dois devem responder por homicídio triplamente qualificado pela morte da enfermeira e por três tentativas de homicídio triplamente qualificado.
“O atirador inclusive assume o risco de atingir cada uma das outras três pessoas que estavam ali dentro. Por isso, a conduta do atirador configura tentativa de homicídio a outras pessoas”, comenta o promotor.
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