PF prende ex-funcionário de gabinete de deputado do PL na Alesp ligado a esquema de corrupção na Polícia Civil de SP

  • 06/03/2026
(Foto: Reprodução)
Antonio Carlos Ubaldo Júnior é acusado de participação em um esquema de corrupção dentro da Polícia Civil de São Paulo e é ex-funcionário do deputado Rodrigo Moraes (PL). Montagem/g1/Reprodução/TV Globo e Alesp A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) prenderam na quinta-feira (5) o advogado Antonio Carlos Ubaldo Júnior, acusado de participar de um esquema de corrupção dentro da Polícia Civil de São Paulo. A defesa dele não foi localizada pela reportagem. Ubaldo é ex-funcionário do gabinete do deputado estadual Rodrigo Moraes (PL), na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), onde ocupava o cargo de assistente parlamentar II. Ele trabalhou com o parlamentar bolsonarista entre abril de 2023 e junho de 2024. Segundo a PF, Ubaldo intermediava pagamentos de propina a agentes da polícia paulista para evitar investigações contra alvos de inquéritos no Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC). Essa organização criminosa é descrita pela PF na Operação Bazaar como um grupo que, “de maneira sistemática, passou a realizar promessas de pagamento e a efetuar pagamentos de vantagens indevidas a policiais civis de delegacias especializadas e distritais, que se incumbiram de investigações a respeito das empresas do grupo”. Nove pessoas foram presas na operação. Além de Ubaldo Jr, há quatro policiais civis. (Veja no vídeo abaixo quem são os nove presos.) Veja quem são os presos por corrupção policial em SP Ubaldo Júnior é o quarto ex-integrante do gabinete de Rodrigo Moraes citado em escândalos recentes de corrupção. Durante a Operação Estafeta, da PF, em São Bernardo do Campo, na Grande SP, os federais descobriram que Paulo Iran Paulino Costa, que também trabalhou no passado no gabinete de Moraes, era o operador da propina na cidade num esquema com suspeita de participação do prefeito Marcelo Lima (Podemos). Outros dois ex-funcionários da sua equipe são investigados no caso envolvendo a SPTuris. Por meio de nota, o gabinete do deputado estadual Rodrigo Moraes esclareceu que "nenhum dos servidores mencionados integra atualmente a equipe parlamentar" e que "não possui qualquer relação com eventuais investigações envolvendo pessoas que, em algum momento passado, tenham prestado serviços ao gabinete" . (Leia mais abaixo.) São Bernardo do Campo Entenda esquema de corrupção que afastou prefeito de São Bernardo do Campo No caso de São Bernardo, a Justiça de São Paulo tornou réus dez investigados por suspeita de integrar uma organização criminosa e praticar lavagem de dinheiro na prefeitura. Em posse de Paulo Iran, a PF descobriu mais de R$ 14 milhões em dinheiro vivo, que iria ser distribuído entre os membros da organização. Ele foi funcionário do gabinete de Rodrigo Moraes na Alesp por quase três anos, entre setembro de 2022 e agosto de 2025. Segundo o portal da transparência da Alesp, o salário dele na época era de R$ 6.154,51. Paulo Iran Paulino Costa é acusado pela PF de ser operador do esquema de corrupção que afastou o prefeito de São Bernardo, Marcelo Lima (Podemos), do cargo no mês passado. Montagem/g1/Reprodução/TV Globo/Câmara dos Deputados Esquema na SPTuris Controladoria da capital investiga contratos de quase R$ 240 milhões da SPTuris Outros dois ex-funcionários do gabinete de Rodrigo Moraes citados em escândalos são a empresária Nathalia Carolina da Silva Souza e o ex-secretário-adjunto de Turismo da cidade de São Paulo, Rodolfo Marinho da Silva. Eles trabalharam juntos no gabinete do deputado do PL em 2017. Ao saírem de lá, fundaram uma consultoria política, a Legiscom Publicidade e Consultoria LTDA, que prestou serviços para as campanhas eleitorais do vereador da capital Gilberto Nascimento Jr (PL) e o pai dele, o deputado federal Gilberto Nascimento, em 2020 e 2022. Após o trabalho, Marinho foi indicado pela bancada do PL como secretário de Turismo e, poucos dias da posse do ex-sócio, Nathália abriu a empresa MM Quarter Produções e Eventos (entenda mais aqui). Registro da Alesp mostra que Natália e Rodolfo Marinho foram colegas de gabinete na Alesp em 2017. Reprodução/Alesp Após a posse de Marinho na Prefeitura de SP, a MM Quarter passou a ganhar contratos milionários na gestão municipal que somam mais de R$ 239 milhões, apenas na secretaria que controla a SPTuris. A Controladoria Geral do Município (CGM) descobriu uma procuração onde Nathália dava plenos poderes de administração da MM Quarter para Marinho, enquanto ele atuava dentro da secretaria municipal de Turismo da administração Ricardo Nunes (MDB). Quando o escândalo veio à tona, Nunes demitiu Marinho e o presidente da SPTuris, Gustavo Pires, e determinou aprofundamento das investigações na pasta por parte da CGM. O controlador-geral, Daniel Falcão, afirma que há indícios de que Rodolfo era sócio oculto de Nathália na MM Quarter. Nunes anuncia demissão de secretário-adjunto e presidente da SPTuris após denúncias O que diz o deputado do PL Inquérito da PF aponta participação de João Ubaldo no esquema de corrupção dentro da Polícia Civil de SP. Reprodução/TV Globo Por meio de nota, o gabinete do deputado estadual Rodrigo Moraes esclareceu que "nenhum dos servidores mencionados integra atualmente a equipe parlamentar". "No caso específico citado [Operação Bazaar], o ex-servidor mencionado atuou por período limitado no gabinete, exercendo funções externas de natureza administrativa, não mantendo vínculo com a equipe parlamentar há cerca de dois anos", disse. Acrescentou ainda que "o gabinete ressalta que não possui qualquer relação com eventuais investigações envolvendo pessoas que, em algum momento passado, tenham prestado serviços ao gabinete, sobretudo quando não possuem mais vínculo funcional com a estrutura parlamentar". Quanto aos demais nomes citados, Moraes afirma que "tratam-se igualmente de ex-colaboradores de períodos distintos, sem qualquer vínculo atual com o gabinete". "A escolha de colaboradores segue os critérios legais e administrativos aplicáveis à atividade parlamentar, sendo que eventual responsabilização por condutas pessoais deve ocorrer individualmente, no âmbito das investigações conduzidas pelas autoridades competentes", disse. "O deputado Rodrigo Moraes reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e o combate a qualquer prática irregular na administração pública, permanecendo à disposição para eventuais esclarecimentos", declarou. Quem é Rodrigo Moraes Rodrigo Moraes é deputado estadual na Alesp há quatro mandatos consecutivos. Advogado nascido em Itu, no interior de SP, ele é filho do deputado federal Missionário José Olímpio (PL), representante da Igreja Mundial do Poder de Deus, do Apóstolo Valdemiro Santiago. Cristão evangélico da mesma igreja do pai, Moraes foi eleito pela 1ª vez em 2010 e reeleito novamente nos pleitos de 2014, 2018 e 2022. Segundo figuras da Alesp, ele deve tentar um quinto mandato na Alesp na eleição de outubro. O perfil dele de deputado no site da Alesp destaca que Moraes "desempenhou um papel significativo na política paulista, trabalhando em estreita colaboração com o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro e, hoje, com o governador do Estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas". "Sua trajetória política é ainda mais enriquecida pelo legado de seu pai, José Olímpio, que também atuou como deputado federal, ao lado de Bolsonaro, no Congresso Nacional. A filiação de Rodrigo Moraes ao Partido Liberal proporcionou-lhe uma plataforma para promover suas ideias e políticas alinhadas com os princípios e agendas do partido. Sua atuação como deputado estadual destacou-se pela defesa de valores conservadores e pela promoção de medidas que visam o desenvolvimento econômico, a segurança pública e o fortalecimento das instituições democráticas", afirma. Íntegra da nota de Rodrigo Moraes "Em atenção ao questionamento encaminhado, o Gabinete do Deputado Estadual Rodrigo Moraes esclarece que nenhum dos servidores mencionados integra atualmente a equipe parlamentar. No caso específico citado, o ex-servidor mencionado atuou por período limitado no gabinete, exercendo funções externas de natureza administrativa, não mantendo vínculo com a equipe parlamentar há cerca de dois anos. O gabinete ressalta que não possui qualquer relação com eventuais investigações envolvendo pessoas que, em algum momento passado, tenham prestado serviços ao gabinete, sobretudo quando não possuem mais vínculo funcional com a estrutura parlamentar. Quanto aos demais nomes citados, tratam-se igualmente de ex-colaboradores de períodos distintos, sem qualquer vínculo atual com o gabinete. A escolha de colaboradores segue os critérios legais e administrativos aplicáveis à atividade parlamentar, sendo que eventual responsabilização por condutas pessoais deve ocorrer individualmente, no âmbito das investigações conduzidas pelas autoridades competentes. O deputado Rodrigo Moraes reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e o combate a qualquer prática irregular na administração pública, permanecendo à disposição para eventuais esclarecimentos".

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/03/06/pf-prende-ex-funcionario-de-gabinete-de-deputado-do-pl-na-alesp-ligado-a-esquema-de-corrupcao-na-policia-civil-de-sp.ghtml


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