Marido que forjou sequestro para matar mulher é condenado a 24 anos de prisão no interior de SP
26/06/2026
(Foto: Reprodução) Júri condena marido por morte de produtora rural em São Pedro
A Justiça condenou, nesta quinta-feira (25), Danilo Henrique Gonçalves Francisco a pena de 24 anos e seis meses de prisão em regime fechado pela morte da esposa, Vanessa Veroneze Francisco. A vítima foi sequestrada e morta com um tiro na nuca em uma área rural de São Pedro (SP), em novembro de 2023.
O júri encerrou por volta das 21h50 desta quinta-feira (25). Além da pena de 24 anos e seis meses de prisão, o Conselho de Sentença tamém fixou mais um ano e seis meses de detenção e 50 dias de multa.
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Vanessa foi morta durante um assalto no sítio em que residia em São Pedro
Reprodução/EPTV
Inquérito
À época, o crime foi tratado como um assalto seguido de morte, mas investigações apontaram que Danilo, que está preso, simulou um assalto para encobrir o feminicídio da esposa.
A polícia concluiu o inquérito em fevereiro de 2024 e Danilo passou a responder pelos crimes de feminicídio, furto qualificado, posse ilegal de arma, fraude processual e coação no curso do processo.
Marido acusadod de matar mulher em São Pedro é condenado
Segundo o delegado do inquérito, à época, Danilo negava desde o início das investigações o envolvimento no caso.
O g1 procurou a defesa do réu para comentar o julgamento, mas não encontrou os advogados até a última atualização desta reportagem.
Quem é a vítima de sequestro e latrocínio em sítio de São Pedro
Versão inicial do crime
rime aconteceu nesta segunda (27) em sítio de São Pedro. Vítima Vanessa Veroneze Francisco foi sequestrada e morta durante ação. Sepultamento ocorreu na manhã desta terça-feira (28).
Gabriela Ferraz/EPTV
O assassinato ocorreu na madrugada do dia 27 de novembro de 2023. De acordo com o boletim de ocorrência registrado na época, Danilo relatou à polícia que o casal estava no sítio onde residia quando ouviu um barulho na área externa.
Segundo a versão apresentada por ele, Vanessa teria dito que o irmão a chamava e abriu a porta, momento em que foi rendida por um criminoso armado.
O marido alegou que também foi rendido e que o suposto assaltante pedia dinheiro a todo momento. Após vasculhar a casa mantendo a mulher como refém, o invasor teria encontrado e levado R$ 6 mil em dinheiro.
Ainda conforme o relato do marido aos policiais, ele foi obrigado a dirigir até a entrada do sítio, onde teve que sair do carro e levou uma pancada na cabeça. Ele afirmou que ficou atordoado e não viu para onde a esposa foi levada.
Após buscas da Polícia Militar pelo local, o carro foi encontrado atolado e Vanessa foi localizada já sem vida, a cerca de 1 quilômetro da propriedade, com um ferimento na cabeça.
Em entrevista à EPTV, à época, Danilo informou que tinha sido rendido e obrigado a tomar um comprimido para ficar inconsciente.
Como marido passou de vítima a suspeito
Manuscrito’ na parede leva polícia até arma e perícia deve esclarecer se houve uso em latrocínio de São Pedro
Gabriela Ferraz/EPTV
Até o dia 8 de dezembro daquele ano, a Polícia Civil não tinha fechado investigação e a natureza do crime continuava a ser tratada como latrocínio (roubo seguido de morte).
No entanto, o laudo pericial do exame necroscópico apontou que a causa da morte de Vanessa foi um traumatismo cranioencefálico produzido por uma arma de fogo.
O delegado do caso, Marcel Willian Oliveira da Sousa, destacou que a investigação avançava com buscas na área rural. Durante as investigações no sítio, a polícia fez descobertas que contrariaram a versão de assalto:
Manuscrito: investigadores encontraram uma espécie de “manuscrito” na parede de uma construção do sítio que apontavam a existência do revólver;
Arma: a partir das informações na parede, a polícia localizou uma arma escondida em uma porteira na área do sítio, que pertencia ao sogro da vítima, informou a polícia na época.
O marido entrou na mira das investigações policiais após incoerências nas versões que apresentou sobre o crime, de acordo com o delegado do caso na época dos fatos.
“Nós conseguimos a obtenção de elementos materiais que demonstram diversas inconsistências nessas versões oferecidas pelo marido da vítima. Até então, a única testemunha, a única pessoa que poderia nos oferecer maiores subsídios para a continuidade das investigações”, diz o delegado.
Os fatos resultaram na prisão temporária de Danilo Henrique, que negava o crime na época dos fatos. Quando a polícia concluiu o inquérito, em fevereiro de 2024, Danilo passou para a prisão preventiva sem prazo para deixar a cadeia até o julgamento.
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