Justiça de SP manda exumar corpo de esposa de coronel encontrada morta com tiro na cabeça
06/03/2026
(Foto: Reprodução) Sangue encontrado em box pode dar novo rumo à investigação da morte de uma PM em SP
A Justiça de São Paulo atendeu os pedidos da Polícia Civil e do Ministério Público (MP) e mandou exumar o corpo da soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, encontrada morta com um tiro na cabeça no apartamento onde morava com o marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, no Brás, Centro de São Paulo.
A exumação será feita pelo Instituto Médico Legal (IML) da Polícia Técnico-Científica. Peritos vão retirar os restos mortais dela do cemitério onde está enterrada nesta sexta-feira (6). A previsão é que a nova perícia no cadáver comece a ser feita no sábado (7).
Os resultados dos exames serão encaminhados posteriormente para o 8º Distrito Policial (DP), no Brás, que investiga o caso como "morte suspeita". A delegacia pediu a exumação porque ainda tem algumas dúvidas sobre as circunstâncias de como Gisele morreu.
Antes, o registro policial sobre a morte dela era de "suicídio", mas mudou após a família de Gisele dizer à investigação que a soldado sofria violência psicológica por parte do marido.
Geraldo pediu afastamento do trabalho na Polícia Militar (PM) após a morte da esposa, e a corporação atendeu. Gisele morreu em 18 de fevereiro.
Coronel fala em suicídio
A PM Gisele Santana e o marido Geraldo Leite Rosa Neto, tenente-coronal da Polícia Militar.
Reprodução/TV Globo
Em seu depoimento inicial na delegacia, Geraldo havia dito que discutiu com Gisele quando falou que queria se separar. Ele contou que foi tomar banho e um minuto depois ouviu o barulho do disparo.
Quando abriu a porta, o coronel disse que encontrou a esposa caída na sala. Segundo Geraldo, ela estava ferida e sangrando na cabeça, segurando uma arma dele na mão. Em seguida, ele acionou as autoridades para pedir ajuda e contar o que aconteceu.
Mas a família de Gisele sempre contestou essa versão de suicídio. Parentes dela disseram à polícia que o relacionamento dela com Geraldo era tóxico e a mulher sofria violência psicológica. Contaram que ele a perseguia, a proibindo de usar perfumes, batom e salto alto, e que só poderia ir junto com ele à academia.
Sangue no box e tiro encostado
PM encontrada morta: laudo revela disparo de arma encostado no lado direito da cabeça
A perícia da Polícia Técnico-Científica usou luminol e encontrou sangue ainda não identificado no box do banheiro onde Geraldo havia dito que foi tomar banho antes de ocorrer o disparo. O laudo necroscópico concluiu que o tiro que matou Gisele foi dado com o cano da arma encostado do lado direito da cabeça.
O exame residuográfico, que serve para detectar resquícios de pólvora, deu negativo para as mãos da soldado e também para as do tenente-coronel. A investigação realiza mais exames para saber quem apertou o gatilho.
O casal vivia junto desde 2024. A filha de Gisele, de sete anos, morava com eles, mas não estava no apartamento no momento do disparo que matou sua mãe.
Gisele Alves Santana era policial militar e deixa uma filha de sete anos.
Montagem/g1/Arquivo pessoal
Mesmo diante das incertezas que cercam a morte de Gisele, Geraldo ainda não é considerado investigado. A equipe de reportagem tenta contato com a defesa dele para comentar o assunto.
De acordo com o que o coronel disse no boletim de ocorrência do caso, as discussões entre ele e a esposa foi motivada por ciúmes dela. Geraldo falou que surgiram boatos na Corregedoria da PM de que ele teria amantes.
O coronel contou ainda que o casal passou a dormir em quartos separados. Sobre a arma dele, disse que a guardava no armário de um dos quartos.
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