Justiça começa a decidir nesta terça se jovem vai a júri por atropelar e matar namorado e amiga por ciúmes
31/03/2026
(Foto: Reprodução) O que se sabe sobre o caso da jovem presa após perseguir, atropelar e matar namorado e amiga dele em SP
A Justiça de São Paulo começa a decidir, a partir desta terça-feira (31), se a universitária acusada de perseguir, atropelar e matar o namorado e uma amiga dele por ciúmes será levada a júri popular. As vítimas estavam em uma moto e foram atingidas por trás pelo carro dirigido pela ré.
O caso ocorreu em 28 de dezembro do ano passado, na Rua Professor Leitão da Cunha, no Parque Regina, na Zona Sul, e foi registrado por câmeras de monitoramento. As imagens repercutiram nas redes sociais e na imprensa (veja vídeo acima).
Geovanna Proque da Silva, de 21 anos, está presa preventivamente, acusada de causar as mortes de Raphael Canuto da Costa, também de 21, e Joyce Correa da Silva, de 19. Ela também responde por ferir um pedestre que passava pelo local e sobreviveu após cair, bater a cabeça e as costas, precisando levar pontos.
Audiência será à tarde
Geovanna Proque da Silva (ao centro) atropelou e matou o namorado Raphael Canuto da Silva (à esquerda) e Joyce Correa da Silva, amiga dele (à direita)
Reprodução/Arquivo pessoal
Por isso, a estudante de veterinária responde por duplo homicídio doloso (com intenção de matar), triplamente qualificado por motivo torpe, recurso que dificultou a defesa das vítimas e meio cruel. Também é acusada de lesão corporal culposa (sem intenção) contra o pedestre.
A audiência de instrução — etapa em que a Justiça avalia se há indícios suficientes para levar a ré a julgamento — começará às 13h30 no Fórum Criminal da Barra Funda, na Zona Oeste. A decisão pode ser anunciada ao fim da sessão ou em data posterior.
Nessa fase, a juíza Isadora Botti Beraldo Moro, da 5ª Vara do Júri, poderá decidir pela pronúncia, que encaminha o caso ao júri popular. Também há as possibilidades de impronúncia ou absolvição sumária.
O procedimento prevê a oitiva das testemunhas de acusação, seguida pelas da defesa, e, por último, o interrogatório da ré. Caso necessário, novas audiências podem ser marcadas.
'Ciúme doentio'
Geovanna mandou mensagens de WhatsApp para colega para ameaçar namorado
Reprodução/Arquivo pessoal
Segundo a denúncia do Ministério Público (MP), Geovanna agiu por “ciúme doentio”. Na mesma noite do crime, ela enviou mensagens por Whats App com ameaças ao namorado, que participava de um churrasco com amigos. Incomodada com a presença de outras mulheres, exigiu que elas fossem retiradas “por bem ou por mal” e afirmou que iria ao local “quebrar ele e tudo”, conforme consta no inquérito da Polícia Civil.
Em seguida, a jovem foi até a casa do namorado acompanhada da madrasta. Diante da insistência em discutir, Raphael decidiu sair de moto. Ele passou em uma adega próxima e deu carona a Joyce.
Logo depois, Geovanna saiu de carro, perseguiu a motocicleta em alta velocidade e atingiu os dois. Segundo testemunhas, após o atropelamento, ela teria dito: “vai socorrer seu amigo e a vagabunda que eu acabei de matar”.
Raphael e Joyce eram amigos e já haviam trabalhado juntos em um restaurante. Com o impacto, foram arremessados a cerca de 30 metros e morreram no local, nas proximidades da churrascaria onde ele era gerente.
R$ 200 mil de indenização
À esquerda, Citröen preto que estava estacionado na rua também foi atingido pelo impacto; à direita, Citröen prata usado para atropelar namorado e amiga dela
Reprodução
Na denúncia, a promotora Daniela Romanelli da Silva também pediu que, em caso de condenação, a ré pague indenização de R$ 200 mil às famílias das vítimas _R$ 100 mil para cada uma.
Jovem atropelado e morto pela namorada planejava viagem para comemorar um mês de namoro
Geovanna foi presa em flagrante após colidir o carro em veículos estacionados e em um poste. Ela foi encontrada desorientada em uma via próxima e retirada do local por policiais militares após moradores ameaçarem linchá-la.
Segundo a Polícia Militar (PM), a jovem afirmou informalmente que havia tomado antidepressivos, mas disse ter consciência do que fazia. Encaminhada ao hospital com ferimentos superficiais, relatou posteriormente não se lembrar do ocorrido e afirmou fazer uso de medicação contra depressão desde a adolescência.
Na delegacia, ela permaneceu em silêncio durante o interrogatório. A polícia aguarda o resultado de exames toxicológicos.
Consulta psiquiátrica na prisão
Geovanna Proque está detida preventivamente na Penitenciária Feminina de Santana, na Zona Norte de São Paulo
Reprodução
A madrasta afirmou em depoimento que pediu “incessantemente” para que a enteada parasse o carro enquanto dirigia em alta velocidade.
Geovanna está detida na Penitenciária Feminina de Santana, na Zona Norte da capital paulista, segundo a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP). A pedido da defesa da estudante, um psiquiatra foi autorizado neste mês pela Justiça a ir na cadeia para fazer uma consulta com ela, que toma remédios controlados.
O que se sabe sobre o caso da jovem presa após perseguir, atropelar e matar namorado e amiga dele em SP
Procurados, os advogados dela não se manifestaram até a última atualização desta reportagem.
“Nossa expectativa, como assistentes da acusação, é de que todas as testemunhas compareçam e sejam ouvidas”, afirmou o advogado Fábio Gomes da Costa, que representa as famílias das vítimas, em outras ocasiões.