HC da Unicamp tem mil pacientes à espera de cirurgias ortopédicas

  • 30/06/2026
(Foto: Reprodução)
HC da Unicamp tem fila de 2 mil pessoas aguardando cirurgias ortopédicas Cerca de 1 mil pacientes aguardam por cirurgias eletivas ortopédicas no Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp, em Campinas (SP). A fila para procedimentos na unidade, que é a principal referência do Sistema Único de Saúde (SUS) na região, pode chegar a cinco anos de espera. O cenário reflete um problema mais amplo enfrentado pela rede pública de saúde na região: na rede municipal de Campinas, pelo menos 4.622 pessoas aguardam pelo procedimento, algumas desde 2014, segundo dados apresentados pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP). 📲 Participe do canal do g1 Campinas no WhatsApp A Secretaria de Estado da Saúde informou que tem ampliado a oferta de atendimentos na região de Campinas para reduzir as filas do SUS, destacando a realização de 115 mil cirurgias eletivas no último ano na área do Departamento Regional de Saúde (DRS) de Campinas. A pasta afirmou ainda que a organização das filas municipais é de responsabilidade das prefeituras e que cabe ao Estado apoiar tecnicamente os municípios, regular o acesso aos serviços e ampliar a capacidade de atendimento na rede regional (veja a nota completa abaixo). Dor e espera HC da Unicamp Reprodução/EPTV A demora afeta a rotina de pessoas como Ubiraci Rodrigues Moledo, de 64 anos. Morador de Indaiatuba (SP), ele perdeu a cartilagem do joelho esquerdo e necessita de uma prótese, mas não tem expectativas de quando será operado. "Começou devagarzinho. Agora chegou numa situação que não tem o que fazer. Só uma prótese. Eu não posso carregar peso. Se eu fico muito parado dói, se eu levanto dói, se eu ando dói. É difícil", lamentou em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo. Cristiana Munhoz vive uma situação semelhante desde 2023, quando uma ressonância magnética apontou o rompimento do menisco e de um ligamento do joelho. "Passo com o ortopedista a cada seis meses. Como ele não tem acesso, porque é estadual, não tem acesso à agenda [do HC]". O que explica a demora? O superintendente do HC da Unicamp, Maurício Etchebehere, explica que a área concentra filas extensas devido ao envelhecimento da população e à alta demanda do pronto-socorro. "A gente recebe muitos pacientes politraumatizados, a maior parte vítima de acidentes com moto, que ocupam leitos, tanto de enfermaria quanto UTI, e que acabam suspendendo cirurgias eletivas", afirma. O diretor ressaltou que o governo estadual não tem uma visão oficial dessa fila interna. A meta da nova gestão é incluir os pacientes no cadastro de demanda reprimida para conseguir financiamento do estado e dar andamento aos atendimentos, permitindo que a população tenha uma estimativa de quando será operada. "A realidade é que o estado não sabe da nossa fila. Ele não tem uma visão oficial da nossa fila. É uma fila que a gente tem por um levantamento interno. Nós precisamos colocar esses pacientes no cadastro de demanda reprimida". A superintendência do Hospital de Clínicas da Unicamp informou ainda que tem pactuado com a Secretaria de Estado da Saúde para fortalecer as cirurgias ortopédicas dentro da Tabela SUS Paulista, programa estadual que complementa os repasses federais. "Atualmente, cerca de mil pacientes estão cadastrados para diversas categorias de cirurgias ortopédicas, que sofrem forte impacto diariamente em virtude das urgências e emergência que chegam através da Unidade de Emergência Referênciada (UER)". "Cabe ressaltar que essas listas são descentralizadas e o HC atua com a DRS-7 para identificá-las e unificá-las, com o objetivo de ampliar os atendimentos e reduzir a demanda de espera, sempre respeitando os critérios de urgência e emergência", completou em nota. O que diz o governo do estado A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo informa que tem atuado de forma contínua para ampliar a capacidade assistencial da região de Campinas, reduzir filas históricas e apoiar os municípios na organização da rede regional do SUS. No último ano, a região de abrangência do Departamento Regional de Saúde (DRS) de Campinas registrou 115 mil cirurgias eletivas realizadas, dentro de uma estratégia estadual que levou São Paulo ao recorde de 3,5 milhões de cirurgias eletivas nos três primeiros anos da atual gestão. Esse avanço é resultado, entre outras medidas, do fortalecimento da Tabela SUS Paulista, programa estadual que complementa os repasses federais e permite que hospitais filantrópicos recebam até cinco vezes mais pelos procedimentos realizados. A iniciativa impulsionou a reativação e abertura de mais de 650 leitos na região ao longo dos três anos da atual gestão, ampliando a retaguarda hospitalar e a capacidade de atendimento para casos clínicos e cirúrgicos. Até março deste ano, mais de R$ 768,5 milhões foram destinados a 104 unidades filantrópicas da região de Campinas. O Estado também tem realizado investimentos estruturantes para ampliar a oferta de serviços de média e alta complexidade na região. Em Campinas, foi publicado o edital de licitação para a construção do novo Hospital Estadual, com investimento estimado em mais de R$ 550 milhões e 400 leitos previstos. Também foram destinados cerca de R$ 45 milhões ao Hospital e Maternidade de Várzea Paulista para aquisição de equipamentos e mobiliários, com inauguração prevista para os próximos dias, reforçando a capacidade da rede regional. Em Santa Bárbara d’Oeste, o Governo de São Paulo inaugurou, nesta quarta-feira (24/6), o complexo Cidade Saúde, equipamento municipal para ampliar a oferta de exames e procedimentos especializados a moradores de 19 municípios da Região Metropolitana de Campinas. Outra medida em andamento é o credenciamento da Casa de Saúde – Hospital São Leopoldo Mandic para prestação de serviços ao SUS. A iniciativa ampliará a retaguarda assistencial da região, e o DRS de Campinas realiza as tratativas finais para formalização da contratação, etapa necessária para o início dos atendimentos. A SES ressalta que a organização das filas municipais, a gestão dos serviços próprios da rede municipal e a definição da oferta local de procedimentos cabem ao município, conforme as responsabilidades pactuadas no SUS. Ao Estado compete apoiar tecnicamente, regular o acesso conforme critérios clínicos e de disponibilidade da rede, além de investir na ampliação da capacidade regional, como vem sendo feito de forma permanente na região de Campinas. A Pasta ressalta que a porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS) é na atenção básica, nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), administradas pelos municípios, e responsáveis pelo acompanhamento local do paciente, inclusive em suspeita de escoliose. Se necessário, os municípios podem encaminhar o paciente para os serviços especializados estaduais. Atualmente, as filas de espera para consultas, cirurgias, exames e procedimentos são descentralizadas. A Pasta trabalha para identificá-las e unificá-las, com o objetivo de ampliar os atendimentos e reduzir a demanda de espera, sempre respeitando os critérios de urgência e emergência. VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e Região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2026/06/30/hc-da-unicamp-tem-mil-pacientes-a-espera-de-cirurgias-ortopedicas.ghtml


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