Furto de vírus na Unicamp: faculdade de professora investigada diz não pesquisar agentes respiratórios

  • 28/03/2026
(Foto: Reprodução)
Vírus furtado na Unicamp estava em laboratório com maior nível de biossegurança A Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp informou neste sábado (28) que não realiza pesquisas com agentes respiratórios, após a repercussão das investigações envolvendo uma professora da unidade suspeita de furtar amostras de vírus dentro da universidade. Segundo a instituição, os estudos em microbiologia concentram-se em vírus associados à contaminação de alimentos e da água. De acordo com a nota, esses agentes “não possuem transmissão respiratória” e se enquadram em níveis mais baixos de biossegurança. LEIA TAMBÉM: Laboratório NB-3: o que é e qual seu papel para a ciência? Entenda local onde vírus foi furtado na Unicamp A faculdade também destacou que vírus como influenza “não são considerados agentes de interesse da Engenharia de Alimentos” e “não estão relacionados à cadeia produtiva de alimentos sob a perspectiva de risco alimentar”. A professora doutora Soledad Palameta Miller foi presa em flagrante na segunda-feira (23), após a Polícia Federal encontrar as amostras virais que teriam sido retiradas sem autorização de laboratórios da universidade. Entenda a investigação abaixo. Na tarde de quarta-feira (25), o g1 esteve na Unicamp e apurou que o material incluía H1N1 e H3N2, causadores da gripe tipo A, além de outros vírus, tanto humanos quanto suínos. Miller foi liberada na audiência de custódia e vai responder ao processo em liberdade. A defesa da docente afirma que não há materialidade na acusação e sustenta que ela utilizava os laboratórios do Instituto de Biologia por não dispor de estrutura própria. Furto em laboratório da Unicamp: Justiça concedeu liberdade a professora Reprodução Escopo e limites Na nota, a faculdade afirma que pesquisas com agentes de maior risco biológico não fazem parte das atividades da unidade. Segundo o texto, esses estudos “exigem infraestrutura altamente especializada, além de autorizações específicas”. A Faculdade de Engenharia de Alimentos informou que segue normas institucionais e de biossegurança, com atividades vinculadas a planos de trabalho aprovados. A nota também afirma que o vínculo institucional de docentes não autoriza automaticamente a realização de pesquisas fora dessas diretrizes. Investigação A investigação começou quando uma pesquisadora autorizada do Laboratório de Virologia do Instituto de Biologia notou, na manhã de 13 de fevereiro de 2026, o desaparecimento de caixas com amostras virais. No dia 23 de março, a PF cumpriu mandados em laboratórios da Faculdade de Engenharia de Alimentos. Todos os laboratórios da faculdade ficaram temporariamente interditados durante a ação. A Polícia Federal localizou as amostras espalhadas em três locais diferentes: Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA): foram encontradas diversas caixas com amostras dentro de tubetes em um freezer lacrado. Laboratório de Doenças Tropicais (Instituto de Biologia): foram localizados tubetes manipulados e abertos no espaço reservado a Soledad dentro do freezer de outra professora. Próximo ao refrigerador, havia material descartado que provavelmente já havia passado por autoclave. Laboratório de Cultura de Células (Instituto de Biologia): uma grande quantidade de frascos descartados foi localizada em uma lixeira. A PF informou na quarta-feira (25) que o marido da professora, Michael Edward Miller, também é investigado por suspeita de envolvimento no furto de amostras de vírus. Ele foi flagrado por câmeras de segurança deixando o Laboratório de Virologia com caixas no fim de fevereiro. Departamento de Ciência de Alimentos (DCA) da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp Estevão Mamédio/g1 Nota da FEA "A Direção da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) vem a público prestar esclarecimentos técnicos e institucionais acerca de informações divulgadas na imprensa sobre investigação em curso envolvendo docente da FEA/UNICAMP. A UNICAMP definiu que todas as comunicações oficiais sobre o caso estão centralizadas no Gabinete do Reitor, com o objetivo de assegurar rigor informacional, coerência institucional e respeito às investigações em andamento. Nesse sentido, manifestações individuais de docentes não representam o posicionamento institucional da FEA ou da UNICAMP. A Faculdade de Engenharia de Alimentos atua nas áreas de ensino, pesquisa e extensão voltadas à produção, processamento, qualidade e segurança de alimentos. No campo da microbiologia de alimentos, umas das vertentes de atuação da Faculdade, os agentes virais de relevância são predominantemente vírus entéricos, associados à transmissão fecal-oral, como norovírus, rotavirus e vírus da hepatite A, dentre outros. Esses agentes não possuem transmissão respiratória, estão relacionados à contaminação de alimentos e água e, em geral, enquadram-se em níveis de biossegurança até NB2. Por outro lado, vírus respiratórios, como influenza (por exemplo, H1N1 e H3N2), possuem transmissão predominantemente aérea e não são considerados agentes de interesse da Engenharia de Alimentos, tampouco estão relacionados à cadeia produtiva de alimentos sob a perspectiva de risco alimentar. Da mesma forma, pesquisas envolvendo agentes classificados como NB3 (nível de biossegurança 3) exigem infraestrutura altamente especializada, além de autorizações específicas, não integrando o escopo de atuação da Engenharia de Alimentos. A FEA dispõe de infraestrutura compatível com suas áreas de atuação, observando rigorosamente as normas de biossegurança, as autorizações institucionais e os planos de trabalho aprovados. Todavia, não estão no escopo da FEA e no plano de trabalho de quaisquer membros do corpo docente da Faculdade, desenvolver atividades de pesquisa laboratorial nas instalações da Faculdade envolvendo vírus respiratórios ou de importância veterinária ou agentes de maior nível de contenção, não sendo também automaticamente autorizadas pelo vínculo institucional do docente. Conforme já divulgado, a Universidade instaurou sindicância interna para apuração rigorosa dos fatos, incluindo a verificação da aderência das atividades realizadas aos planos aprovados e o cumprimento das normas institucionais e de biossegurança. A FEA e a UNICAMP colaboram integralmente com as autoridades competentes, incluindo a Polícia Federal, autoridades sanitárias e órgãos regulatórios. A Faculdade de Engenharia de Alimentos reafirma seu compromisso com a segurança biológica, a integridade científica, o cumprimento rigoroso das normas legais e institucionais e a transparência perante a sociedade. Ressalta-se, ainda, que a FEA é resultado do trabalho árduo e contínuo de gerações de docentes, pesquisadores, estudantes e servidores, que ao longo de décadas contribuíram para a construção de uma instituição de excelência, reconhecida nacional e internacionalmente e posicionada entre as melhores do mundo na área de Engenharia de Alimentos. Adicionalmente, a Direção enfatiza que opiniões individuais, ainda que emitidas por docentes especialistas, devem ser tratadas com a devida cautela e não podem ser apresentadas como posicionamento institucional, sobretudo em contextos sensíveis e sob investigação. A utilização ou interpretação dessas manifestações fora de seu devido contexto pode gerar confusão na imprensa e na opinião pública, além de potencialmente interferir ou prejudicar o adequado curso das apurações em andamento. Por fim, destaca-se a importância de que informações técnicas sejam tratadas com precisão, evitando generalizações que possam gerar interpretações equivocadas sobre o escopo da Engenharia de Alimentos, os riscos efetivos envolvidos e as responsabilidades institucionais. Novas informações serão divulgadas exclusivamente pelos canais oficiais da Universidade". VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2026/03/28/unicamp-faculdade-de-professora-investigada-por-furto-de-virus-diz-nao-pesquisar-agentes-respiratorios.ghtml


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