Ex-presidente do Juventus é excluído do Conselho Deliberativo após investigação sobre prejuízo financeiro ao clube
10/03/2026
(Foto: Reprodução) Fachada do estádio do Clube Juventus, na Mooca, Zona Leste de São Paulo
Divulgação/Juventus
O Conselho Deliberativo do Clube Atlético Juventus, na Mooca, na Zona Leste de São Paulo, afastou na noite de segunda-feira (9) o ex-presidente Antonio Ruiz Gonzalez.
O empresário é alvo de uma investigação da Polícia Civil sobre desvios de recursos do clube desde o ano passado. Ele estava no cargo desde a eleição de maio de 2019. Ele renunciou ao cargo em março de 2023. A defesa dele não foi encontrada pela reportagem.
Segundo informações discutidas no conselho e registradas em atas, o ex-dirigente foi levado ao plenário e acabou excluído do Conselho Deliberativo após apuração interna que apontou prejuízo financeiro relevante à associação.
De acordo com relatório aprovado pelos conselheiros, o ex-presidente teve responsabilidade em um prejuízo considerado de grande impacto financeiro ao clube.
“O que aconteceu no Clube Atlético Juventus foi a exclusão, pelo Conselho Deliberativo, do ex-presidente Antonio Ruiz Gonzales, após uma longa apuração interna que discutiu a responsabilidade dele por prejuízo financeiro relevante causado à associação", diz o documento.
O relatório acrescenta ainda que "o caso tem origem em contrato firmado em 2019 com a empresa CSP–Conlutas e, segundo o parecer da Comissão de Sindicância, o clube acabou suportando condenação judicial que levou à necessidade de buscar ressarcimento de aproximadamente R$ 800 mil. A apuração interna entendeu que não se discutia apenas a rescisão do contrato, mas especialmente os atos posteriores que teriam contribuído para o prejuízo suportado pelo Juventus”.
O empresário Antonio Ruiz Gonzalez, ex-presidente do Juventus da Mooca.
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O documento também afirma que o episódio foi marcado por uma disputa judicial. Antes da reunião que analisaria o caso no plano político-institucional do clube, foram feitas três tentativas de suspensão ou cancelamento da deliberação, com diferentes argumentos.
Um dos fundamentos apresentados foi o de que o prazo de convocação teria transcorrido durante o período de carnaval. Mesmo assim, a tramitação interna foi mantida.
“Esse episódio foi marcado por forte disputa judicial. Antes da reunião que analisaria o caso no plano político-institucional do clube, houve três tentativas de suspensão ou cancelamento da deliberação, com diferentes fundamentos. Um dos argumentos apresentados foi justamente o de que o prazo de convocação teria transcorrido durante o período de carnaval. Ainda assim, a tramitação interna foi mantida, sob o entendimento de que o procedimento observou as regras estatutárias e de que o ex-presidente teve ciência formal da apuração, apresentou defesa escrita e teria, inclusive, possibilidade de defesa perante o plenário. O parecer também afastou a tese de perseguição política e registrou que a sindicância decorreu de deliberação colegiada regularmente tomada no âmbito do Conselho Deliberativo”, afirma o documento.
O relatório conclui que a exclusão do ex-presidente não ocorreu por divergência política, mas ao final de um procedimento estatutário instaurado para apurar possível responsabilidade pelo prejuízo financeiro.
“Em resumo, o ponto central é que o ex-presidente Antonio Ruiz Gonzales foi excluído do Conselho não por divergência política, mas ao final de procedimento estatutário instaurado para apurar possível responsabilidade por prejuízo de grande monta ao clube. A própria ata de origem da sindicância registra que o Conselho Deliberativo autorizou, por unanimidade, o ingresso de ação regressiva para ressarcimento aproximado de R$ 800 mil, valor suportado pelo Juventus em razão da condenação judicial relacionada a esse contrato. Ao final, a Comissão de Sindicância concluiu que cabia ao plenário avaliar a conduta do ex-presidente à luz dos dispositivos estatutários que preveem perda e afastamento do mandato”, diz o relatório aprovado.
Fachada do Clube Juventus, na Mooca, Zona Leste de São Paulo.
Divulgação/Juventus