Ex-doméstica vira influencer após transformar casa em espaço todo rosa inspirado na Minnie
07/03/2026
(Foto: Reprodução) Conheça a história da Minnie Rosa Humana, que acumula milhares de seguidores nas redes
Quem passa pelo portal de entrada de Rio das Pedras, no interior de São Paulo, verá fotos de pontos conhecidos da pequena cidade de 30 mil habitantes, como a Rua Torta ou o Paço Municipal.
No entanto, uma moradora de uma casa de meio lote a 13 km dali chama a atenção (talvez mais até que o próprio portal).
É a Minnie Rosa Humana, personagem de Cleonice da Silva, 46 anos, uma ex-empregada doméstica que se tornou influenciadora digital.
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A personagem faz sucesso na internet, onde acumula mais de 2,2 milhões de seguidores que amam, criticam ou acham curioso o modo como ela leva a vida.
Cozinha da Minnie Rosa Humana, em Rio das Pedras (SP)
Yasmin Moscoski/g1
Alguns comentários citam o exagero, enquanto outros apoiam Cleonice, mas vestir e estampar a Minnie, além das quadro paredes do próprio lar, foi uma das maneiras que a paulistana viu ascender socialmente.
“Hoje em dia eu trabalho com a internet e o meu salário sai dali. Eu parei de ser a empregada doméstica para ser a influencer [...] os meus vídeos são todos bem viralizados, eu tenho vídeo de até 23 milhões de visualizações [...] Se o vídeo viralizar, você ganha bem”, conta Cleonice.
Nos vídeos, Cleonice compartilha itens que ela tem da Minnie Rosa, peças que está customizando com o apoio do marido ou reformas na casa ou no carro, que ficaram mais e mais rosa com o passar dos anos. Ela ainda encena algumas situações no cenário/casa e brinca com respostas dos seguidores e haters (pessoa que expressa ódio ou desprezo por alguém).
“Eu tenho que publicar todos os dias, todo dia tenho que ter uma ideia”, conta sobre o trabalho.
Minnie Rosa Humana
Arquivo pessoal
Minnie Rosa foi consequência
A trajetória de Cleonice como a Minnie Rosa começou há cerca de oito anos. Naquela época, ela trabalhava como empregada doméstica e diarista, e iniciou o processo de transformar a própria casa em um ambiente totalmente rosa.
"Eu tinha o sonho de ter essa casa toda rosa. Mas eu pensava muito na opinião dos outros até que pensei ‘não adianta eu ficar vivendo a vida dos outros, eu tenho que viver a minha vida’ e foi quando eu dei o primeiro passo”, conta.
A personalização começou de forma gradual. O primeiro item foi a geladeira. No entanto, Cleonice contou que conforme a casa se tornava rosa, as pessoas começaram a compará-la com a Barbie.
“Mas eu nunca me identifiquei com Barbie [...] do jeito que eu amo a Disney, pensei: ‘por que não tenho uma casa da Minnie Rosa diferente das iguais aí a fora?’”, afirma.
Cleonice se orgulha ao mostrar que tudo é da Minnie Rosa, não da Minnie Vermelha, que é a mais comum.
Ela ainda afirmou que compra todos os itens originais da Minnie Rosa, mas que personaliza quando não encontra o que quer da marca. É o caso do carro, estofados, eletrodomésticos e até piscina, que é uma caixa d’água que foi pintada pelo marido e instalada no chão do quintal rosa.
Cleonice disse que houve uma época em que ela abria a casa para o público, mas decidiu parar porque as visitas ocorriam de "domingo a domingo", o que fez com que ela perdesse sua privacidade, após participar de programas de TV.
Minnie Rosa Humana
Arquivo pessoal
Depressão
O início desse movimento foi também um mecanismo de cura. Antes de começar com a Minnie, Cleonice afirmou sofrer depressão.
“Eu tinha depressão no tempo em que não se falava em depressão”, conta. “Hoje eu vivo alegre, e eu sou alegre ali na internet e fora da internet. Tenho um marido maravilhoso, filhos maravilhosos, pessoas que convivem comigo também, que são minhas vidas, então eu só tenho motivo para ser feliz”, complementa.
Cleonice disse que a adesão à personagem também a motivou a cuidar da aparência.
“Eu comecei a me amar. Arrumei meu dente, meu cabelo. Não consigo te explicar o que aconteceu, mas tinha que ser essa história para mim, porque através dessa história eu me curei”, afirma.
Casa e carro da Minnie Rosa Humana, em Rio das Pedras (SP)
Yasmin Moscoski/g1
Relação com a internet
Cleonice contou que lidar com os haters foi um processo de aprendizado, pois no início ela não entendia como a internet funcionava. Quando o primeiro vídeo viralizou com 7 milhões de visualizações, ela disse que esperava ler apenas comentários positivos, mas se deparou com ataques pessoais.
“Na internet existem as pessoas boas e existem essas pessoas que eu não consigo nem entender o que elas tão fazendo ali. Eu não estou fazendo mal para ninguém, eu estou na minha casa, não estou prejudicando ninguém", afirma.
Dessa forma, ela aderiu à regra de ouro dos trabalhadores da internet: não ver comentários (pelo menos a maior parte deles).
“Aquilo que os olhos não veem o coração não sente”, conta.
Quintal da Minnie Rosa Humana de Rio das Pedras (SP)
Yasmin Moscoski/g1
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