‘ANTA – O Filme’: documentário retrata 30 anos de luta pela conservação da espécie
13/06/2026
(Foto: Reprodução) A história de 30 anos de luta para salvar a anta brasileira vira documentário
Divulgação "Anta, o filme"
Uma vida dedicada aos estudos da anta (Tapirus terrestris). Essa poderia ser uma forma simples de resumir a trajetória da pesquisadora Patrícia Medici, que há três décadas atua na conservação do maior mamífero terrestre do Brasil.
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Em 1996, ela iniciou um projeto pioneiro desenvolvido pelo Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ) voltado à proteção da espécie. As ações começaram do zero, com a criação da Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira (INCAB), da qual Patrícia é fundadora. O que ela não imaginava, na época, era que o trabalho definiria sua trajetória profissional e pessoal.
Classificada como vulnerável à extinção no Brasil, a anta enfrenta ameaças como o avanço do desmatamento, a fragmentação dos habitats e os atropelamentos em rodovias. Esses fatores colocam em risco não apenas a sobrevivência do animal, mas também processos ecológicos fundamentais para a manutenção da biodiversidade.
Conhecida como a “jardineira das florestas”, devido ao importante papel ecológico que desempenha, a anta é frequentemente associada ao nome de Patrícia Medici. A relação entre as duas histórias foi construída ao longo de 30 anos de pesquisa, estudos e dedicação.
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ANTA – O Filme
É justamente essa trajetória que ganha espaço em “ANTA – O Filme”, documentário dirigido por João Marcos Rosa e produzido pela NITRO Histórias Visuais.
A ideia surgiu de forma despretensiosa, durante uma conversa entre a pesquisadora e o fotógrafo de natureza em um café. Inicialmente, Patrícia queria celebrar o tempo de trabalho em prol da anta por meio de algumas produções audiovisuais. O resultado, porém, se transformou em algo maior: um documentário de 80 minutos que retrata não apenas a realidade da espécie, mas também valoriza relações humanas e a luta de quem dedica a vida à conservação.
“O filme chama ANTA, mas é um filme sobre a Patrícia, e, querendo ou não, elas têm características em comum. Em nenhum momento do filme a Patrícia fala sobre desistir. Ela mostra batalha, a luta, dificuldade, mas não desiste. E a espécie está deste jeito também, na luta, ela resiste às adversidades. Então podemos dizer que é um filme sobre resiliência, ele mostra esta proposta de vida, essa escolha, e inspira”, pontua João Marcos Rosa.
Maior mamífero terrestre do Brasil inspira documentário sobre conservação e resistência
Divulgação "Anta, o filme"
Durante um ano e meio, a equipe acompanhou o trabalho de campo do time da INCAB. Nesse período, percorreu milhares de quilômetros em oito estados brasileiros e cinco biomas: Mata Atlântica, Pantanal, Cerrado, Caatinga e Amazônia.
“Nossa ideia nunca foi fazer um filme institucional, desde o início pensamos em algo mais poético, livre e construímos isso. O filme está muito natural e fluido. Senti uma ansiedade no início, mas tivemos liberdade para pensarmos juntos, opinar e dar ideias, o resultado final está perfeito”, comenta Patrícia.
O lado humano aparece em diferentes momentos da narrativa. Uma das principais relações retratadas é a amizade entre a pesquisadora e o auxiliar de campo José Maria Aragão, o “Zé”. Captar a essência desse vínculo foi um dos principais desafios e objetivos do diretor.
“Eles têm essa relação de 30 anos, é uma coisa maravilhosa, aquele vínculo parental, meio de irmão, de pai e filha. Eu nunca vi isso de uma forma tão latente, de uma relação de duas pessoas em lugares diferentes dentro de uma instituição. É uma relação bonita, de respeito, proximidade. Esse é o ponto alto do filme, que coroa essas duas pessoas incríveis que batalham juntas. Nós conseguimos trazer essa parte humana e que para mim foi o maior desafio”, acrescenta Rosa.
A equipe também traçou estratégias específicas para captar algumas cenas. Muitas entrevistas, por exemplo, ocorreram dentro do carro, enquanto os personagens dirigiam. Nesses momentos, de forma espontânea, conseguiam expor pensamentos e falas mais naturais.
Você pode assistir ao trailer da obra aqui.
Um filme para sentir e refletir
Pesquisadora que dedicou 30 anos à conservação da anta vira personagem de documentário
Divulgação "Anta, o filme"
Em determinadas cenas, a sensação é de que a câmera se torna “invisível”, aproximando o telespectador da experiência vivida pelos personagens. A proposta é justamente sensibilizar e emocionar quem assiste.
“Ele vai fazer as pessoas pensarem, e, ao mesmo tempo, a gente busca inspirar também a quem assiste. Estamos trazendo histórias humanas por trás de um projeto de conservação. De certa forma, estamos mostrando também o nosso país, levando conhecimento, apontando problemáticas não só envolvendo a anta, mas outras espécies. A mensagem que fica é que existem pessoas dedicando a vida a isso, mas que todos podem fazer alguma coisa”, finaliza Patrícia.
Para o diretor, a produção representou a realização de um sonho pessoal e profissional, ao trabalhar ao lado de uma amiga e compartilhar histórias de uma pesquisadora reconhecida nacional e internacionalmente.
Turnê de exibição
Documentário ‘ANTA – O Filme’ mostra 30 anos de dedicação à conservação da anta no Brasil
Divulgação "Anta, o filme"
Neste mês, as equipes da INCAB e da NITRO percorrem alguns estados brasileiros para exibir o documentário.
A estreia ocorreu no dia 3 de junho, no Rio de Janeiro. O filme também já foi exibido em cinemas de rua de São Paulo e Belo Horizonte.
No dia 23 de junho, a equipe estará em Brasília, com sessão prevista para as 19h, no Cine Cultura – Liberty Mall. Os ingressos têm vagas limitadas, e os interessados devem entrar em contato pelo e-mail: incabbrasil@gmail.com.
A proposta é que “ANTA – O Filme” também seja exibido em festivais, escolas e eventos com perfil mais intimista. Segundo a direção, neste primeiro momento, a intenção é ampliar o alcance da narrativa e estreitar o diálogo com o público.
Há previsão de exibições no segundo semestre em localidades como Campo Grande, Teodoro Sampaio e Carajás. Também existe a intenção de promover sessões no interior de São Paulo.
A equipe afirma ainda estar à disposição de cidades interessadas em receber a obra.
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